Como indentificar um fariseu

           Os fariseus consistiam numa das seitas judaicas atuantes na época de Jesus. Tinham um apego exagerado à lei de Moisés e gozavam de grande influência política e social. A rigidez com que observavam a lei mosaica tornaram-lhe legalistas ao ponto de deixaram de observar os principais preceitos da lei: o amor, a misericórdia e o perdão. Eles acreditavam que obedeciam cada ponto da lei, mas não observavam os pontos essenciais. Jesus censurou-os de forma veemente, assim como censura os fariseus da atualidade que em nada diferem dos fariseus de sua época.

             No capítulo 9 do evangelho de João podemos perceber de forma clara as atitudes de um fariseu. Nesse capítulo há um relato de uma cura de um cego de nascença operada pelo Senhor Jesus. Todos ficaram espantados com esse acontecimento e levaram o homem que fora curado para os fariseus e era um sábado quando Jesus curou o cego. Os fariseus perguntaram ao homem como ele começou a ver e ele lhes explicou. Qualquer pessoa "normal" teria dado glória a Deus por tão grande milagre e crido em Jesus como o filho de Deus, mas a resposta deles foi "Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado" (Jo 9.16). Será que a guarda de um sábado era mais importante que a cura de um homem? logo depois os fariseus tornaram a perguntar ao homem que fora curado como ele tinha começado a ver, ele lhes explicou novamente e tentou persuadi-los a que eles vissem Jesus de outra forma, a resposta dos fariseus demonstra mais uma de sua características: a sua arrogância. "Responderam eles e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados e nos ensinas a nós? E expulsaram-no." (Jo 9.34.). Existia a crença entre os judeus que a enfermidade era sinal de pecado na vida de uma pessoa, como eles eram sãos achavam superiores de mais para receber ensinamentos de um cego de nascença.

             Os fariseus não são um grupo exclusivo da época de Jesus. O espírito do farisaísmo é bem presente hoje, principalmente quando o  amor que deve reinar entre os crentes é substituído por julgamentos precipitados e sem fundamento. Quando deixamos de valorizar a essência dos mandamentos de Cristo e supervalorizamos práticas externas estamos incorrendo no mesmo erro de um fariseu "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia." (Mt 23.27). Tradições são importantes (2 Ts 2.15), mas elas não podem anular o mandamento do Senhor "E assim invalidastes, pela vossa tradição, o mandamento de Deus." (Mt 15.6). Quantas pessoas já morreram espiritualmente por uma atitude despida de amor tomada por alguém? O que é mais importante olhar uma pessoa com compaixão, pondo-se no lugar dela ou desprezá-la porque ela não está do jeito que eu quero que ela esteja? Aparência e boas obras são indispensáveis na vida do crente, mas somente elas não causam impacto na vida de ninguém. No entanto experimentemos retribuir o mal com o bem, o amor pelo ódio e veremos o resultado.

           Quando perguntaram a Jesus qual era o maior mandamento, ele respondeu: amar a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a si mesmo e disse que quem cumprisse esses dois mandamentos cumpririria toda a lei e os profetas. Se amamos a Deus e ao próximo compreendemos a natureza divina, nunca iremos julgar, mas amar, nunca seremos arrogantes, mas sempre prontos a ouvir.

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